Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens

18.9.12

Complexo Multiuso Conceição: Urban Regeneration Through Viable POPS


Meu trabalho de conclusão de curso em Arquitetura e Urbanismo se trata da criação de um espaço público interessante que regenera uma área degradada em Porto Alegre através de um empreendimento privado economicamente viável. Abaixo a descrição do projeto e imagens explicativas.

A área de intervenção se trata de um vazio urbano junto ao viaduto Conceição, entre o Centro Histórico e a região conhecida como 4o distrito de Porto Alegre. Ambas áreas foram marcantes na história da cidade mas iniciaram a se degradar a partir do final da década de 70. Tendo abrigado no passado a segunda estação férrea de Porto Alegre, o terreno tornou-se ilhado em um nó rodoviário após a construção do viaduto da Conceição em 1970. Apesar de atualmente ocorrer uma lenta gentrificação na região com projetos de revitalização públicos e privados, o terreno até agora continua esquecido. 
Esta proposta pretende requalificar a área que hoje divide as duas regiões, criando uma continuidade urbana que é inexistente. O programa abrangendo comércio diversificado, escritórios, um centro de eventos e um hotel - este último um uso já consolidado na área e uma habitação efêmera que traz um caráter de uso misto ao projeto - atrai usuários ao local desde sua primeira implantação, já que possui um programa quase auto-suficiente. O projeto se torna um impulso ao desenvolvimento de ambas regiões hoje ainda degradadas, mas que têm o potencial para se tornarem novamente áreas centrais na cidade. 
Faltando exemplos de projetos de qualidade arquitetônica e revitalização urbana a partir do setor imobiliário da cidade, a proposta pretende, através do programa misto que se valoriza retroativamente e através de técnicas construtivas eficientes, criar um projeto economicamente sustentável para tal.
A coordenação modular e do uso de elementos pré-fabricados foram questões centrais no processo projetual, que possibilitam o aumento da velocidade da obra, o aumento da qualidade da execução, a diminuição de perda de material e retrabalhos no canteiro e, assim, a diminuição do custo total da obra.






-


My Architecture and Urbanism graduation project is about creating an interesting public space that regenerates an abandoned neighbourhood in Porto Alegre through a private and economically viable venture. Below the descritption of the project and above some of the graphics presented.


The intervention area is an abandoned urban lot by the Conceição overpass, between Centro Histórico (Historical Center) and the region known as the 4th District in Porto Alegre. Both where important zones to the history of the city but started to die out by the end of the 70’s. While in the past it was home to the city’s second railroad station, the lot became islanded between highways after the Conceição overpass was built in 1970. Despite a slow gentrification starting to occur in the region with a few public and private revitalization projects, the area remains forgotten. 
This project aims at renovating the terrain that today divides two city regions, creating urban flow that is nonexistent. The program containing diverse commerce, offices, a convention center and a hotel – this last one being a consolidated use in the area and also an ephemeral residence which gives a mixed use character to the project – attracts users to the spot since its opening, as it has an almost self-sufficient program. The project becomes an impulse to development of both regions that are still highly degraded, but have the potential of becoming once again central areas in the city.
Lacking examples of architectural quality and urban revitalization from the real estate market, this proposal aims, through a mixed use that retroactively values itself and through efficient building techniques, at creating a economically sustainable building for such objectives.
Modular coordination and the use of prefabricated elements were at the core of building decisions, which cuts building time, increases the quality of execution reduces waste and on site rebuilding and, therefore, lowers total costs of building.

19.3.12

Arquitetura, o Urbanismo quer o divórcio (e vice versa) / Architecture, Urbanism wants a divorce (and vice versa)

Maioria dos arquitetos brasileiros hoje sobrevivem fazendo reformas de interiores ou pequenas residências, irrelevantes em um contexto urbano. Imagino que deva ser algo que se replica mundialmente, uma vez que dois ou três arquitetos teriam condições de projetar, por exemplo, um prédio de 40 apartamentos, que por sua vez pode dar trabalho a no mínimo 40 arquitetos - ou mais considerando que mais de uma família more em cada apartamento durante a vida do edifício.

Porém, duas coisas impressionam no Brasil: a primeira é que o CREA (agora tornando-se CAU) só permite que reformas de interiores ocorramcom o projeto de um arquiteto (ou por um engenheiro, que por sua vez não contribui com o projeto mas sim com a execução), para grande tristeza e exclusão dos designers, já discutido neste artigo. Ao mesmo tempo, o CREA proíbe a existência de formandos somente em Arquitetura ou somente em Urbanismo, sendo pelo MEC todas as faculdades obrigatoriamente de Arquitetura e Urbanismo.

Pacote fechado: reforma de interiores por 0e1 Arquitetos e mapa do
Plano Diretor de São Paulo
Impressiona porque é bastante claro que o leque de conhecimento necessário para um urbanista difere da prática de grande maioria dos arquitetos. Estudar urbanismo é estudar coisas como economia, direito, sociologia e sistemas de transporte. Arquitetura, por outro lado, está claramente mais ligada ao estudo de materiais, forma, estética arte e construção. É estranho pensar que as regras vigentes exigam que um urbanista saiba como detalhar uma esquadria e que um arquiteto de interiores saiba detalhes sobre sistemas de transporte urbano. Os professores ainda ousam falar que Arquitetura e Urbanismo são exatamente a mesma coisa, "só muda a escala", como se fosse benéfico replicar os delírios modernistas de uma cidade em forma de avião. Não que eu prefira um ao outro: formalmente trabalho como arquiteto e, a partir deste blog, às vezes atuo como urbanista. O que não é tão comum, já que na própria faculdade desde o início já se percebe quem vai atuar em qual ramo.

Isso tampouco significa que não existam projetos que dependem tanto de um contexto urbano como de um rigor arquitetônico. Eles são de menor quantidade já que normalmente se trata de grandes empreendimentos públicos e/ou privados, e mesmo quando acontecem normalmente são formadas equipes especializadas mistas, como por exemplo a revitalização do Cais Mauá em Porto Alegre, de projeto urbanístico do escritório do Jaime Lerner e projeto arquitetônico dos espanhóis b720.

O estudante de Arquitetura e Urbanismo brasileiro de hoje então se forma despreparado em ambas disciplinas dada a tentativa de ser abrangente demais. "Mas é importante", dizem alguns. Ora, eu poderia argumentar que muitas outras coisas também são igualmente ou ainda mais importantes, tanto para arquitetura ou para urbanismo, como por exemplo técnicas construtivas e economia, respectivamente. No fim não estou dizendo que não podem existir cursos que ensinem ambos, mas sim que deveria existir maior liberdade dos alunos optarem pelo o que eles têm mais interesse, habilidade e condições financeiras.

A verdade é que a faculdade já é comprida demais, e não há maneira de estudar tudo que todos consideram importantes antes de começar a trabalhar. As faculdades de Arquitetura no Brasil normalmente tem o tempo mínimo de 5 anos para serem completadas. O normal é passar ainda mais tempo lá dentro, 6 anos e meio, 7 anos. Algumas faculdades, como a UFRGS, onde me formei, querem aumentar o mínimo para 6 anos. O que não se percebe é que quanto mais preparo é obrigatoriamente exigido para atuar, mais elitista será a profissão, já que pobre nenhum tem condições de ficar tanto tempo sem permissão de trabalhar.

Estou argumentando por algo simples: permitir que se possa estudar ora arquitetura, ora urbanismo, ora ambos. É a boa e velha divisão do trabalho e especialização de funções por meio de trocas, que segundo Matt Ridley, que de forma irônica chama de "ideias fazendo sexo", foi o que revolucionou todas as áreas do conhecimento humano. Que Arquitetura e Urbanismo possam ser as próximas.

-


Most brazilian architects today survive with interior refurbishments and small residences, irrelevant on an urban context. I would predict this would also happen elswhere, once two or three architects are capable of designing a building with 40 apartments, for example, which can give work to at least 40 architects - or more considering more than probably one family will live in this building during its existence. 

However, two things amaze me in Brazil: the first is that the CREA, now changing to CAU, (which regulates the profession, something like the AIA) only permits interior refurbishments with a supervision of an architect (or an engineer, but who contributes on the execution, not the design), to the sadness and exclusion of interior designers, already commented in this article, in need of a translation). At the same time, CREA fobids undergraduates only in Architecture or only in Urbanism, and by the MEC (Ministry of Education and Culture) every school must have Architecture and Urbanism together. 

It's amazing because it's pretty clear that the knowledge required for an urbanist is different from the practice of most architects. Studying urbanism is studying things like law, economics, sociology, politics and transport systems. Architecture, in the other hand, is clearly more connected with studying materials, form, aesthetics, art and building. It's wierd to think that our rules demand urbanists to know how to detail a window sill and interior architects intricate details of transportation systems. Not that I favor one or another: I formally work as an architect and, via this blog, sometimes act as an urbanist. Which is not that common, as in school since the beggining one can notice who is going to work in each field. 

This also does not mean that there aren't any projects that depend on both an urbanist as an architectural knowledge. They are usually less numbered as these are large private and/or public projects, and even when they occur mixed specialized teams are built, as with the example of the Cais Mauá revitalization in Porto Alegre, where Jaime Lerner's office did the urbanism and the spanish firm b720 did the architecture.

The brazilian Architecture and Urbanism student today then graduates unprepared in both fields with the attempt of being too broad. "But it is important", some would say. Well, I could argue that many other things are equally or even more important, for both Architecture and Urbanism, such as building techniques or economics, respectively. In the end I'm not saying there can't be schools who teach both, but that there should be more liberty for students to choose on what they have more interest, abilities or financial conditions.

The truth is that school already takes too long, and there is no way for anyone to study everything everyone thinks is important before starting to work. Architecture schools usually take 5 years as the minimum to finish. Usually students spend more time inside, six and a half years, even seven. Some schools like UFRGS, where I graduated, want to rise the minimum up to six years. What isn't noticed is that the more studying is legally required to be able to work more elitist this profession will be, as the poor aren't able to spend so much time without being able to work.

So I'm arguing for something simple: to allow studying just architecture, just urbanism or both. It's the good old division of labor and specialization of trades, which according to Matt Ridley, who ironically calls it "ideas having sex", is what revolutionized every area of human knowledge. May Architecture and Urbanism be the next ones.

9.1.11

Na dúvida, não tente Arquitetura / In doubt, don't try Architecture

O site CareerCast acaba de lançar o guia de profissões para 2011. Ele basicamente cria um ranking considerando 4 fatores: Ambiente de trabalho, Stress, Demanda física e Perspectiva de emprego.

De 200 empregos enumerados, a profissão Arquiteto ficou em 108o, sendo alto nível de stress e relativamente baixas perspectivas de emprego os fatores decisivos para a péssima colocação. Para se ter uma ideia, o ranking colocou "Reparador de máquina de venda automática" na frente, em 107a posição.

Isso sendo que o site ainda foi amigável na estimativa de salário, em U$73,193.00 anuais, sendo que os números mostrados por outros questionários de salários online mostram números menores. Este permanente da Archinect mostra uma faixa de U$50000 anuais, principalmente para os EUA, onde os salários são normalmente mais altos para o setor. No recentemente lançado pela Archdaily, pessoas do mundo inteiro respondem o salário por hora, com raros casos de salários acima de U$3000/mês.

João Moreira Salles, célebre cineasta brasileiro, na palestra que teve publicação na Folha de São Paulo e ampla repercussão online, corretamente diz:

"Existem no Rio quatro universidades que oferecem cursos de cinema; no Brasil, são ao todo 28, segundo o Cadastro da Educação Superior do MEC. No ano passado, a PUC-Rio formou três físicos, dois matemáticos e 27 bacharéis em cinema. Existem 128 cursos superiores de moda no Brasil. Em 2008, segundo o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira], o país formou 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas. Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes."

Na Arquitetura, a coisa não muda muito. Só em Porto Alegre, em 2010, entre UFRGS, PUCRS, UNIRITTER, ULBRA e FEEVALE, foram mais de 200 formandos. Sim, eu sei que o mercado imobiliário está aquecido e que o Minha Casa, Minha Vida existe, mas além de não durar muito tempo (minha bola de cristal está mais para "bolha" de cristal). E, além do mais, não é esse caminho que a maioria decide tomar quando pensa em fazer arquitetura. Todos pensam em trabalhar nos escritórios legais (ou abrir o seu próprio), e acabam quebrando a cara. Por que? Escritórios legais pagam mal, por um motivo econômico simples: há muita disponibilidade de mão de obra para o serviço. E abrir um escritório é que nem abrir uma empresa, e raros arquitetos sabem como isso funciona. Infelizmente o Brasil ainda não está em um estágio de desenvolvimento para absorver um número tão grande de profissionais dedicados às necessidades metafísicas e de realização pessoal, normalmente no último patamar de preferências das pessoas de acordo com a hierarquia de necessidades de Maslow. Em resumo: ainda não existe cultura arquitetônica suficiente no Brasil para absorver a quantidade de arquitetos formados.

Então meu conselho é o seguinte: se você está em dúvida, não faça Arquitetura. Se você está se formando em Arquitetura (como eu), se prepare: não vai ser fácil.

20 arquitetos jovens essenciais: não, você não está na lista.


-

CareerCast just released the 2011 career guide. The website basically creates a ranking considering 4 aspects: Work Environment, Stress, Physical demands and Hiring Outlook.

Out of 200 careers, Architect ranked 108th, with high stress level and relatively low job perspectives the decisive aspects for its horrible position. "Vending machine reparier", for instance, ranked 107th.

This is even considering that the website was friendly estimating salaries, around U$73,193 per year. This permanent poll at Archinect shows a lower average around U$50,000 per year, mostly in the US, where wages are usually higher in the sector. In the recently posted Archdaily poll, people from all around the world posted their wages por hour, with rare cases of wages above U$40,000 per year.

João Moreira Salles, a famous brazilian film-maker, in this talk which was published on Folha de São Paulo and was spreaded online , correctly says:

"In Rio there are 4 universities offering courses in movie production; in Brazil there are 28 in total, according to the national record from MEC. Last year PUC-Rio graduated 3 physicists, 2 mathematicians and 27 graduates in movie production. There are 128 undergrad courses in fashin in Brazil. In 2008, according to Inep [National Institute for Educational Studies and Research Anísio Teixeira], the country made 1114 physicists, 1972 mathematicians and 2066 fashion designers. I strengthen the nightmare that, in a few years, planes won't take off, but we will all dress better"

In Architecture, things don't change much. In Porto Alegre, only in 2010, between UFRGS, PUCRS, UNIRITTER, ULBRA and FEEVALE, more than 200 architects got their diplomas. Yeah, I know that the housing market is hot and that Minha Casa, Minha Vida exists, but besides not lasting too long (my crystal ball looks more like a crystal "bubble"), this is not the path most people look up to when chosing Architecture as their career. Everyone wants to work in the cool offices (or opening their own), and end up badly. Why? Cool offices give low wages because of a simple economic rule: there is too much demand as everyone wants to work there. And opening an office is like opening a business, as architects rarely know how that works. Unfortunately Brazil is not in a development stage to absorb a high number of professionals dedicated to metaphysycal needs, usually at the last stage of personal preferences according to Maslow's hierarchy of needs. In a nutshell: architecture isn't valued highly enough in Brazil to have this number of architects.

So my advice is the following: if you're in doubt, don't try Architecture. If you're graduating in Architecture (as I am), get ready, it won't be easy.